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Posts Tagged ‘jovens’

Quem lia os quadrinhos do Sandman, como eu, já viu um trecho que a personagem cita como sendo de um poeta, ou seja, o Neil Gaiman deixa isso claro, não dá a entender que seja dele, mas mesmo assim eu vejo as palavras reproduzidas por aí com créditos para o autor de Sandman. Então resolvi trazer a tradução e o original; trata-se de versos de 3.000 anos AEC (Antes da Era Comum), encontrados em uma pirâmide do Egito. Espero que com isso se pare de dizer que o texto é mais um produto da genialidade do Neil (ainda que ele seja mesmo digno de algo assim).  Eis:

“A morte está diante de mim hoje:
como a recuperação de um doente,
como ir para um jardim após a doença

A morte está diante de mim hoje:
como o odor de mirra,
como sentar-se sob uma vela num bom vento

A morte está diante de mim hoje:
como o curso de um rio,
como a volta de um homem da galera para a sua casa

A morte está diante de mim hoje:
como o lar de um homem que anseia por ver,
após anos passados como um cativo”

(cf. recitado por Sandman)

“Death is before me today
Like the recovery of a sick man,
Like the going forth into a garden after sickness

Death is before me today
Like the odor of myrrh,
Like sitting under a sail on a windy day.

Death is before me today
Like the course of the freshet,
Like the return of a man from the war-galley to his house.

Death is before me today
As a man longs to see his house
When he has spent years in captivity.”

(Pyramid Texts, 3000 BC, cf. Miriam Lichtheim: ‘Ancient Egyptian Literature’, Part I, 1973)

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Faz tempo que venho acompanhando as notícias, mas só agora tive tempo para traduzir algo pra vocês se situarem um pouco, quem não estiver sabendo (abaixo dos textos vai uma galeria de fotos para clicar, retiradas dos grupos do Multiply):

As revoltas na Grécia são um sinal do que ainda está por vir?
Outros países deveriam tomar cuidado…

Por Mark Lex Eros – http://3ros.multiply.com , traduzido por mim.
Baseado no artigo de Nikolas Zirganos – www.independent.co.uk
19 de dezembro de 2008

Depois de atirar 4.600 latas de gás lacrimogêneo na semana passada, a polícia grega quase esgotou seu estoque. Enquanto procuram por suprimentos de emergência de Israel e da Alemanha, as bombas de petróleo e as pedras dos que protestam continuam chovendo, com novos estrondos do lado de fora do parlamento.

Reunindo jovens de vinte e poucos anos que lutam para sobreviver em meio ao desemprego em massa dessa faixa etária e estudantes que se esforçam em exames universitários altamente competitivos os quais podem acabar não os ajudando no ameaçador mercado de trabalho, os eventos da semana passada poderiam ser chamados de revoltas de primeiro rumor de crédito. Houve ataques solidários de pequena escala de Moscou a Copenhague, e economistas dizem que os pais com similares problemas de juventude altamente desempregada, tais como Espanha e Itália, deveriam se preparar para um desassossego.

Aparentemente, o gatilho para a violência grega foi o tiro que um policial deu em um garoto de 15 anos, Alexis Grigoropoulos. Um relato forense vazou aos jornais gregos, indicando que ele foi morto por um tiro direto e não um ricochete como o advogado do policial afirmou. Os primeiros que protestaram estavam nas ruas de Atenas logo uma hora e meia após a morte de Alexis, começando a semana mais traumática que a Grécia já teve há décadas. A destrutibilidade dos protestos diários, que deixou muitas lojas na área mais fervorosa de compras de Atenas em ruínas e causou um prejuízo estimado em 2 bilhões de euros, aturdiu a Grécia e deixou o mundo confuso. E não houve retirada ontem, quando a juventude irritada deu de ombros para a chuva torrencial e seguiu jogando pedras e bombas incendiárias contra a polícia, bloqueando as principais rodovias e ocupando uma estação privada de rádio.

Seus pais procuram no escuro por explicações. Tonia Katerini, cujo filho Michalis, de 17 anos de idade estava nas ruas no dia após o assassinato, enfatizou a normalidade dos que protestam. “Não são apenas 20 ou 30 pessoas, estamos falando aqui de mil jovens. Não são pessoas que vivem no escuro, são do tipo que você vê nos cafés. Os criminosos e drogados apareceram depois, para saquear as lojas. As crianças estavam muito bravas com o fato de o garoto ter sido morto; e eles queriam que a sociedade toda não dormisse em silêncio com isso, eles queriam que todos sentissem o mesmo medo que eles sentiram. E eles estavam também expressando sua raiva contra a sociedade, contra a religião do consumismo, contra a polarização da sociedade entre os poucos que têm tudo e os que muitos que não têm nada.”

Protestar tem sido há tempos um rito de passagem para a juventude urbana da Grécia. A queda da ditadura militar em 1974 é popularmente atribuída à insurreição dos estudantes; a verdade era mais complicada, mas essa é a versão que entrou para a mitologia estudantil, dando-lhes um sentido duradouro de seu potencial. Então ninguém ficou surpreso que a morte de Alexis há uma semana atrás trouxesse esses companheiros adolescentes às ruas. Mas por que os protestos eram tão comovidos e duradouros? “A morte desse jovem garoto foi um catalisador que trouxe todos os problemas da sociedade e da juventude que vêm se acumulando todos esses anos sem nenhuma solução” disse Nikos Mouzelis, professor emérito de sociologia na LSE. “Todo dia, os jovens deste país experimentam uma marginalização adicional.”

Embora as manchetes sobre o desemprego na Grécia falem em 7.4%, um pouco abaixo da média européia, a OECD estima que o desemprego entre as pessoas de 15 a 24 anos de idade é de 22%, embora alguns economistas digam que o número exato seria mais algo do tipo 30%.

“Por causa do desemprego, um quarto desses que estão abaixo dos 25 anos estão abaixo da linha de pobreza”, disse Petros Linardos, um economista do Instituto de Suporte os Sindicatos Gregos. “Essa porcentagem cresceu nos últimos 10 anos. Há um sentimento difundido de que não haja perspectivas. Esse é um período onde todos têm medo do futuro por causa da crise econômica. Há um sentimento geral de que as coisas estão ficando piores. E não há uma iniciativa real do governo.”

Para os jovens gregos, como Michalis Katerini, as perspectivas de emprego não são um mar de rosas, mas sem um diploma universitário elas seriam ainda piores, então ele e sua mãe estão fazendo sérios sacrifícios para fazê-lo avançar nos estudos. O ensino médio no Estado dele é tão inadequado que ele – como dezenas de milhares de outros pelo país – devem estudar três horas por noite, cinco noites por semana em uma escola abarrotada depois da escola regular, para ter a esperança de adquirir as notas altas necessárias para entrar no curso universitário de sua escolha. Sua mãe, cujo trabalho como arquiteta decaiu 20% ano passado, deve pagar 800 euros por mês para o cursinho do crucial último ano do ensino médio escolar.

Ele acredita que o governo do Primeiro Ministro Costas Karamanlis enfrentará mais turbulência se falhar em apreender essa realidade da última semana, e deixá-la passar como uma reação espontânea exagerada. “O governo tentou muito não relacionar o que aconteceu com os problemas dos jovens. O governo diz que um garoto morreu, que seus amigos estão irritados, que eles reagiram exageradamente e que os anarquistas vieram se unir ao jogo. Mas não é essa a realidade.”

Vicky Stamatiadou, uma professora de jardim de infância nos subúrbios do norte rico, com dois filhos adolescentes, concorda. “Até agora, nossa sociedade estava cheia de sujeira, mas com águas calmas; nada se movia, nada melhorava, todos os problemas da nossa sociedade continuavam sem solução por anos. Pessoas fingiam que tudo estava indo bem. Mas agora essa falsa imagem se quebrou e estamos encarando a realidade.”

As estatísticas gregas oficiais de desemprego na juventude não estão longe das taxas de outros países europeus com história de protesto de massa, tais como França, Itália e Espanha. Com a grafitagem “A Insurreição Próxima” pintada próxima ao consulado grego em Bordeaux esta semana, os sinais de aviso ao resto dos líderes do continente estão claros.

(Fonte: grupo Hellas/Greece do Multiply)

Novos estrondos começam na Grécia
18 de Dezembro de 2008

Novos estrondos romperam entre protestadores e a polícia na Grécia, em contínuo desassossego relacionado à morte de um adolescente pela polícia. Os participantes da passeata levaram a polícia da revolta para fora do parlamento, arremessando bombas de fogo. A polícia respondia com salvas de gás lacrimogênio. Doze dias depois do tiroteio policial, a raiva se unia ao descontentamento em outras partes da sociedade grega. Os protestadores queriam que o governo mudasse as políticas sociais e econômicas. Os controladores de tráfego aéreo foram o último setor de trabalhadores públicos a aderir à greve. Uma estimativa de 10 mil pessoas se uniram à passeata em Atenas na quinta-feira, que começou do lado de fora de uma universidade e marchou até o parlamento, em revolta pelo garoto de 15 anos que foi morto por um policial no dia 6 de dezembro. As faixas culpavam o governo, acusando-o de ter falhado com o povo grego. “Fora com o governo de sangue, pobreza e privatizações”, dizia um cartaz, segundo a Reuters. A nova violência surgiu na praça central, lugar do parlamento grego, com protestadores atirando bombas de petróleo no prédio e tentando queimar a principal árvore de Natal de Atenas. A árvore já tinha sido substituída uma vez depois de ser incendiada por tochas durante protestos prévios. Cerca de 70 pessoas foram feridas e cerca de 400 foram detidas durante os protestos. Centenas de lojas e bancos foram vandalizados e pilhados. O policial acusado de atirar em Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, foi acusado de assassinato.

Algumas pessoas foram pegas no protesto enquanto faziam compras. Enquanto isso, todos os vôos de e para o aeroporto de Atenas pararam por várias horas na quinta-feira, já que os controladores de tráfico aéreo protestavam contra as políticas do governo e exigiam aumento de salário. É parte de uma ação industrial organizada pelo sindicato de administração civil, a ADEDY. Na quarta-feira, os protestadores penduraram enormes faixas na Acrópole, o local antigo que domina Atenas, em uma chamada para a “resistência”. O primeiro-ministro conservador Costas Karamanlis rejeitou as chamadas para descer, apesar da crescente pressão pública. Mas, mais cedo desta semana, ele reconheceu alguns dos problemas que alimentaram a ira dos jovens. Em um discurso a colegas parlamentares na terça-feira, ele disse: “problemas há muito não resolvidos, tais como a falta de meritocracia, a corrupção na vida diária e um senso de injustiça social têm desapontado os jovens”.

(Trecho traduzido do grupo Hellas/Greece, postado por Nikos Deja Vu.)


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