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O Brahmacharya, ou celibato, é um processo racional de preservar e conservar uma energia preciosa para que ela possa ser utilizada em outras funções muito essenciais e indispensáveis. E, se ela é preservada dessa forma, ela pode ser convertida, assim como a água densa e tangível é convertida em um vapor tênue e sutil. Então ela pode fazer maravilhas. Um rio pode não ter muito poder sozinho. Você pode ser facilmente capaz de remar ou nadar por ele. Mas, se ele for represado e suas águas conservadas, então ele tem o poder, quando devidamente canalizado, de virar imensas turbinas e produzir eletricidade. O sol quente, mesmo no verão, não causa normalmente fogo, mas se você concentrar seus raios através de uma lente, esses raios irão imediatamente queimar o que quer que seja o foco dos raios. É disso que se trata o celibato.

O prana (energia vital, força de vida) é a reserva preciosa do buscador. Qualquer atividade sensitiva ou experiência sensitiva consome muito prana. E a atividade dos sentidos que consome a maior quantidade de prana é o ato sexual. Gurudev colocou isso muito fortemente: “Ele pertuba/abala o sistema nervoso inteiro”, porque ele cria uma grande excitação, uma grande agitação, e uma intensidade tamanha de sentimentos que, como consequência, deixa a pessoa exausta e exaurida/esgotada. O mais alto de todos os objetivos na vida humana – a realização espiritual – requer o máximo disponível de energia prânica de todos os níveis: mental, intelectual e emocional. É através do prana que a gente tem que refrear nossas sensações. É através do prana que a gente tem que parar a incansável atividade mental. É através do prana que a gente tem que centralizar todos os raios espalhados da mente e fazê-la se concentrar em um único ponto. É através do prana que a gente tem que dirigir a mente concentrada até o objeto da meditação.

Todas essas várias práticas requerem o uso de prana, e o celibato garante que uma abundância de reserva prânica esteja disponível ao buscador.

99% das pessoas estão completamente apegadas a um estado de “eu sou este corpo”. Elas conhece sua identidade apenas como uma entidade física, um ser com mãos e pés e orelhas e olhos, comendo, bebendo, dormindo, falando, fazendo coisas. Então elas estão totalmente ligadas ao corpo. A consciência delas é erguida sobre o nível do corpo físico.

Entre todos esses processos corporais, a maioria se tornou mecânico. A maioria das pessoas não estão intensamente cientes do comer, beber, dormir, usar o banheiro. Todas essas coisas se tornaram automáticas. Mas o único processo que a maioria delas propositalmente se envolve, com um grande desejo dele – querendo-o, pensando nele, planejando-o e indo atrás dele – é o prazer sexual, o que significa que este é um processo que concentra a consciência inteira delas, a mente inteira, a atenção inteira sobre o físico, sua identidade física. De um certo ângulo, o ato sexual é o ápice da ‘fisicalidade’ ou animalidade. É um processo que forçosamente direciona sua atenção inteira ao físico e, mais do que isso, o foco inteiro do seu desejo e intenção sobre aquela parte da sua natureza física que você comparilha em comum com o reino animal inteiro. Isso vai ser de alguma forma útil para atingir a consciência cósmica?

Se você é um buscador espiritual, você não consegue ver que está trabalhando contra si mesmo? Você tem que liberar sua consciência dos níveis mais baixos e continuar elevando-a até níveis progressivamente mais e mais altos de estados mais e mais refinados. Pois, se a totalidade do processo espiritual de iluminação e esclarecimento é um processo de erguer-se a um estado mais alto de consciência, ele automaticamente implica em liberar-se de um estado mais baixo de consciência. Se você quer se mover em direção ao norte, isso significa se afastar do sul.

E uma das coisas que ajuda você a se liberar de ser pego neste nível físico é o celibato. A consciência cósmica, absoluta, é um grito distante se você não reconhece a necessidade de se liberar de sua identificação total com o corpo.

Swami Sivananda costumava dizer: “Brahmacharya é a base da imortalidade.”

Uma das yogas onde o celibato é absolutamente essencial e indispensável é a Kundalini Yoga. Desde o começo, é absolutamente essencial e indispensável. Senão, é perigoso se envolver com a kundalini yoga, que é baseada em pranayama e muitos mudras, bandhas e asanas.

O celibato não está fora de moda, não é coisa do passado, e não é repressivo ou negador de vida. Ao contrário, ele é usado como uma prancha para uma vida duradoura, uma vida infinita, eterna. Quem acha o celibato repressor e fora de moda parecer ter uma visão de vida muito estreita e limitada. E essa não é a única vida que existe. Quando você chegar a ter um pequeno vislumbre ou idéia do que a vida real é, então você irá ficar simplesmente deslumbrado. A vida presente tal como é hoje se torna insignificante, sem sentido.

Brahmacharya não se trata de evitar a sexualidade e nem de reprimir a sexualidade. Trata-se de passar por cima da sexualidade para que o potencial e o poder do processo sexual possa agora ser usado para algo tão maravilhoso que o sexo empalidece de insignificância em contraste. Então o brahmacharya não é nem reprimir nem evitar a sexualidade, é apenas desconsiderá-la, fazer uso desse potencial sexual para algo dez vezes ou cem vezes maior.

Se você quer entender a prática do celibato através de uma analogia que esteja dentro das formas pensadas de hoje, considere um atleta cuja ambição maior é ganhar uma medalha de ouro nas Olimpíadas. Ele irá voluntariamente se colocar nas mãos de um treinador e, se o treinador disser “Nada de festanças tarde da noite, nada de sexo, nada de comida que não presta, nada de álcool”, o atleta prontamente concorda. Ele diz: “Concordo com isso e com o que mais você disser também”. Por quê? Porque ele quer a medalha de ouro. E ninguém ergue uma sobrancelha, ninguém fica abismado com isso. Por quê? Porque a medalha de ouro justifica todas essas tão-chamadas ‘inibições’. Você não pode dizer que ele está cometendo uma violência ou se reprimindo, porque ele não está olhando para isso dessa forma. Ele está disposto a fazer qualquer coisa que o treinador exigir dele. Isso não lhe é imposto por outras pessoas. Nós entendemos por que ele está fazendo tal coisa e nós aceitamos isso.

Porém, de alguma forma, a idéia ocidental de que o brahmacharya é uma supressão não é inteiramente fora de questão. Se a gente reprime ou suprime alguma força ou faculdade natural inerente, isso pode trazer mudanças indesejáveis na personalidade. Se o brahmacharya é forçado a um indivíduo contra a inclinação ou vontade dele, condições anormais podem resultar naturalmente disso, porque a pessoa está sendo compelida a fazer algo que, no fundo, ele ou ela não quer fazer – foi compelida pelos outros, por uma restrição social ou por assumir votos que ele ou ela teve que fazer antes de ter considerado bem o que exatamente isso implicava.

Mas, se uma pessoa inteligente, tendo profundamente ponderado sobre a base completa da vida, disser: “Quando eu quero atingir algo grande, algo poderoso, não posso me prestar a esgotar as energias que tenho. Quanto mais eu conservar, mais eu posso divergir para aquele empreendimento e maiores as chances de ter sucesso”. Então, pensando e tendo entendido a racionalidade disso, e plenamente apreciando a realização última onde isso o/a levaria, se ele ou ela voluntariamente, disposto/a e com grande entusiasmo abraçar o celibato, onde ficaria a questão da supressão?

Ao contrário, o que parece ser uma espécie de negação é na verdade dar uma completa auto-expressão a uma dimensão maior do seu ser, dentro da qual você tem agora se colocado. Então, longe de negar uma auto-expressão, trata-se de dar uma expressão plena a si mesmo, porque você não está mais identificado com os aspectos menores de sua personalidade total. Você está identificado com o aspecto mais alto. É uma espécie de uma liberação e evolução a um nível maior. É algo positivo, criativo, e não algo negativo.

Na verdade, a vasta maioria dos seres humanos são animais humanos apenas; estão enraizados somente na consciência do corpo. Então o yogui diz que sua consciência apenas se movimenta nos três centros mais baixos, que é comida, sexo e eliminação inferior. Se algum despertar superior acontece e eles desenvolvem compaixão pelos outros, espírito de serviço, desejo de tornar os outros felizes, então a consciência ocasionalmente se manifesta no quarto centro, o dos sentimentos. Se a consciência persiste em uma tendência ao mais alto, de evolução epiritual e vida ideal, ela chega ao visuddha-chakra, onde podemos ter muitas experiências subjetivas, visões etc, mas ainda assim as experiências vêm e vão e a consciência se move para cima e para baixo, para cima e para baixo. Se a consciência se ergue mais além, até o ajna-chakra, nós tendemos a ficar mais e mais estáveis, estabelecidos, porque esse é o centro da mente, a psique. Mas é apenas quando a consciência chega ao sahasrara que não há mais chance de descida. Nós ficamos acima da consciência corporal. Nós não pensamos ou sentimos ou concebemos a nós próprios como uma entidade física mais. Não há como se mover para baixo. A consciência está firmemente estabelecida. Mas até então, há sempre uma necessidade de ser vigilante.

Se você quiser colocar isso numa terminologia devocional, há uma pequena composição interessante de Swami Yogananda. É algo assim: “Eu sou a bolha, tu és o mar. Deixa-me parar de ser a bolha, torna-me o mar”. E assim o devoto reza ao Deus: “Eu sou tua criança, o que tu és eu sou. Se és divino, sou divino. Se não tens corpo, não tenho corpo. Sou puro espírito, todo pervasivo, como tu. Leva-me paro alto, para o teu estado de consciência”.

[ trechos de ‘The Role of Celibacy in the Spiritual Life’, por Swami Chidananda, em pdf, traduzido por mim ]

Vídeo (lindo!) de música de fossa, em grego. Anna está maravilhosa!
Segue grafia, transcrição e tradução:

Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως εδώ και δυο μήνες είμαι συνέχεια στο σπίτι μονάχη μου.
Pos edo ke dio mines ime sinehia sto spiti monahi mou.
Que pelos últimos dois meses tenho estado em casa sozinha.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πόσο άσχημη νιώθω με μαύρους κύκλους κάτω απ’ τα μάτια μου.
Poso ashimi niotho me mavrous kiklous kato ap’ ta matia mou.
Quão feia me sinto com essas olheiras.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως μου είναι αδιάφορο αν ζω ή δεν ζω.
Pos mou ine adiaforo an zo I den zo.
Que não me importo se vivo ou não vivo.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πόσο πολύ σ’ αγαπώ.
Poso poli s’ agapo.
O quanto eu te amo.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως περνάω τις ώρες μου περιμένοντας να με πάρεις κάποιο τηλέφωνο.
Pos pernao tis ores mou perimenontas na me paris kapio tilefono.
Que passo meu tempo esperando por uma ligação sua.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως φοράω τα ρούχα σου να σε αισθάνομαι συνέχεια κολλημένο επάνω μου.
Pos forao ta rouha sou na se esthanome sinehia kollimeno epano mou.
Que visto suas roupas para poder te sentir perto de mim.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως δεν έχω όρεξη να φάω έχω μείνει μισή.
Pos den eho orexi na fao eho mini misi.
Que perdi meu apetite e perdi metade do meu peso.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως σε σκέφτομαι βράδυ-πρωί.
Pos se skeftome vradi-proi.
Que penso em você dia e noite.

Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα είμαι σκόνη είμαι χώμα.
Pos gia sena ime skoni ime homa.
Que sou pó e terra (faria qualquer coisa) por você.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για ‘σένα πίνω είμαι λιώμα.
Pos gia ‘sena pino ime lioma.
Que por sua causa eu bebo até me embriagar.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα βουλιάζω σε κώμα.
Pos gia sena vouliazo se koma.
Que por sua causa eu me sinto entrando em coma.
Σαν παλιά ζωγραφιά λίγο-λίγο μου φεύγει το χρώμα.
San palia zografia ligo-ligo mou fevgi to hroma.
Como uma velha foto, minha cor está gradualmente esvaecendo.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα είμαι σκόνη είμαι χώμα.
Pos gia sena ime skoni ime homa.
Que sou pó e terra (faria qualquer coisa) por você.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα υπάρχω ακόμα.
Pos gia sena iparho akoma.
Que ainda estou vivendo por você.

Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως όλα αυτά που σου λένε ότι είμαι δήθεν καλά είναι όλα ψέματα.
Pos ola afta pou sou lene oti ime dithen kala ine ola psemata.
Que quando lhe dizem que estou bem, é tudo mentira.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
ότι είμαι όλη μέρα σε ένα δωμάτιο και ζω με σκιές και φαντάσματα.
Oti ime oli mera se ena domatio ke zo me skies ke fantasmata.
Que estou sempre no mesmo quarto vivendo com sombras e fantasmas.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως με παίρνει ο ύπνος με χάπια κάθε πρωί.
Pos me perni o ipnos me hapia kathe proi.
Que adormeço com pílulas toda manhã.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για ‘μένα τα πάντα είσαι εσύ.
Pos gia mena ta panta ise esi.
Que para mim você é tudo.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως ότι συμβαίνει επάνω στον κόσμο με αφήνη αδιάφορη.
Pos oti simveni pano ston kosmo me afini adiafori.
Que tudo o que acontece no mundo não me interessa.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για τίποτα πια δεν με νοιάζει νιώθω τόσο μα τόσο ουδέτερη.
Pos gia tipota pia den me niazi niotho toso ma toso oudeteri.
Que não me importo com mais nada, me sinto sem emoção.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως είμαι μόνη δεν θέλω κανένα να δω.
Pos ime moni den thelo kanena na do.
Que estou sempre sozinha e não quero ver ninguém.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πόσο πολύ σ’ αγαπώ.
Poso poli s’ agapo.
O quanto eu te amo.

Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα είμαι σκόνη είμαι χώμα.
Pos gia sena ime skoni ime homa.
Que sou pó e terra (faria qualquer coisa) por você.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για ‘σένα πίνω είμαι λιώμα.
Pos gia ‘sena pino ime lioma.
Que por sua causa eu bebo até me embriagar.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα βουλιάζω σε κώμα.
Pos gia sena vouliazo se koma.
Que por sua causa eu me sinto entrando em coma.
Σαν παλιά ζωγραφιά λίγο-λίγο μου φεύγει το χρώμα.
San palia zografia ligo-ligo mou fevgi to hroma.
Como uma velha foto, minha cor está gradualmente esvaecendo.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα είμαι σκόνη είμαι χώμα.
Pos gia sena ime skoni ime homa.
Que sou pó e terra (faria qualquer coisa) por você.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα υπάρχω ακόμα.
Pos gia sena iparho akoma.
Que ainda estou vivendo por você.

Premiozinho recebido:

Στα όχι δεν τολμώ αλήθεια πια να πω
Στο ψέμα μου ζητώ βοήθεια
Τα όχι σου σιωπή το τέλος πριν να’ρθεί
Δεν γίνεται η αρχή συνήθεια .

Ξέρω ότι με πρόδωσε, αλύπητα με σκότωσε
Τα όχι και τα ναι μου, μόνος μου εγώ.
Μ’ ενοχλεί ο εαυτός μου , με μπερδεύει
Πόσο εύκολα μπορεί να σε λατρεύει
Πόσο δύσκολα τα λάθη σου τα ξέχασα.
Μ’ ενοχλεί το φέρσιμο σου, με σκοτώνει
Τόσο γρήγορα το βλέμμα σου με λιώνει
Πόσο άργησα να νιώσω ότι σ’ έχασα

Τα ναι και η ψύχη πεθαίνουν για ζωή
Μα δεν χωράνε πια στο σώμα
Τα ναι σου μια βροχή ελπίδα από γυαλί
Που βούλιαξε και αυτή στο χώμα…

***********************************

No ‘não’ eu não me atrevo a dizer a verdade mais
Na minha mentira eu procuro por ajuda
Seus ‘não’s são silêncios, antes do fim chegar
Um começo não pode se tornar um hábito

Eu sei que ela me traiu, ela me matou cruelmente
E meu ‘sim’ e ‘não’, eu sou
Eu incomodo a mim mesmo, eu me confundo
O quão facilmente eu posso te adorar
O quão difícil é esquecer seus erros
Seu comportamente me incomoda, me mata
Tão rápido (quanto) seu olhar me derrete
O quão demorado foi para eu sentir que te perdia

Aquele ‘sim’ e a alma morrendo por uma vida
Mas não podendo se encaixar no corpo mais
Seu ‘sim’, uma chuva, a esperança feita de vidro
Aquele estar afundado no próprio solo (da terra)…

“Oh-Meu-Deus!”

10 de espadas

Sei que você conhece pelo menos um. Sei que você provavelmente já foi um em algum momento, embora possa ser embaraçoso admitir. Ao menos uma e provavelmente muitas vezes mais você transformou um montículo em uma proverbial montanha. Seu(ua) rei(rainha) do drama! Tudo bem, sério. Eu tenho um lado que se inclina ao dramático. OK, talvez mais de um lado. Um flanco inteiro de meu ser talvez. Tanto que uma amiga minha, que também aprecia a quantia justa de drama borrifada por sua vida, irá me dizer “Oh! Meu! Deus! Você está sendo tão dramática!” Ao menos reconhecemos isso em nós mesmos e podemos rir disso quando cultivamos o bom humor. Esse fato nos torna decididamente não rainhas do drama. A verdadeira Rainha/Rei do Drama (“drama queen/king“) não aceita o fato de que ela/ele está sendo ridicularmente melodramático nem que eles têm noção de que estão constantemente criando situações que resultam em um drama exaustivo para eles e para os outros. Então minha amiga e eu estávamos conversando noite passada quando ela perguntou em voz alta: “Que carta do tarô representaria o drama?” Discutimos sobre a carta da lua e o lado dramático daquela carta e a questão fez ambas de nós parar, no meio da reflexão, e mentalmente dar um tiro na carta. A princípio, estávamos bastante confusas. Eu dizia que a combinação do Louco com a Lua me faria pensar em “drama”, mas eu não estava satisfeita com minha resposta. Nós continuamos a conversar e, de alguma forma, o 10 de Espadas foi mencionado e ela soltou uma interjeição: “Eis a carta do drama!”. Eu ri e disse: “Oh sim, com certeza!”. Conversamos mais sobre o assunto, aquela carta que grita “Lamentações é comigo meeeeeesmo!”

Recentemente minha filha de 12 anos de idade me perguntou que rótulos usávamos para as várias panelinhas do ensino médio. Claro que tínhamos aqueles a quem chamávamos de ‘os esportistas’. Ela disse que ‘esportistas são perenes’. (Sim, ela tem 12 anos com um vocabulário muito amplo.) Eu disse que chamávamos os “chapados” por um nome diferente, “aberrações”. Tínhamos os “nerds” que seria provavelmente os “geeks” ou algo assim hoje. Tínhamos um grupo que chamávamos de “laqueados” que é muito parecido com os “playboyzinhos” que gostam de fazer racha com seus carros e vestir jaquetas de couro e colocar gel no cabelo no estilo dos anos 50. Enquanto ela tentava achar equivalentes modernos para as categorias dos anos 70, ela perguntou: “Vocês tinham garotos/as Emo?”

“Não! Porque TODOS os adolescentes são EMO!”

Aposto que o seu incidente mais embaraçoso de “drama queen/king” foi quando você era um adolescente, certo?  E, se aconteceu depois, você provavelmente se sentiu como um adolescente atormentado de angústia. Sendo adultos, não estamos imunes ao nosso lado emo e iremos ocasionalmente exibir demonstrações emocionais distintamente auto-absortas e explosivas, especialmente quando embriagados. Tudo bem, eu te perdôo. Somos todos destinados a desenvolver ocasionalmente um melodrama sobre alguma coisa insignificante. Como aquela vez que eu tentei ficar pronta para o trabalho e o novo felino que eu tinha acabado de trazer para casa teve um espasmático frenesi de gato e escalou as cortinas do quarto e fez a vara da cortina cair e por alguma razão esse evento me deixou incapaz de trabalhar aquele dia. Ou aquela cena de véspera de Natal que eu tive com meu primeiro namorado no qual eu dramaticamente terminei com ele, dando-lhe um tapa no rosto no estilo de Joan Crawford, segurei as lágrimas até sair pela porta de casa e corri para a minha mãe, caindo em uma bagunça de berros e lágrimas em seu colo. Minha mãe estava com um namorado na época. Eu não percebi que estávamos à meia-luz, as luzes desligadas, só as luzes da árvore de natal acesas, e que havia taças de vinho na mesa de centro.

cartas do drama

Então, eu coloquei a questão para o meu tarô hoje. Que carta representa essa inclinação das pessoas a serem tão auto-focadas e famintas por atenção que criam um drama interpessoal? A primeira carta que puxei foi o Diabo. Hum… nunca realmente pensei sobre isso assim, mas não é verdade? Essa carta fala de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), vícios, obsessões, atrações doentias e motivos ocultos bastante horrendos. É a carta hedonista, pura e simplesmente.

Sentindo-me com sorte, puxei outra carta. Seis de Copas? Que diachos? É apenas uma carta doce, caridosa, generosa… oh, mas espere, há crianças. Infantilidade. Aqueles que conheço que são viciados em drama também tendem a ser bastante imaturos e embora tenham amadurecido cronologicamente na época de suas vidas quando se esperava que fossem narcisistas, eles não passaram por aquilo emocionalmente maduros.

A próxima que puxei foi o Enforcado. Eu ri. Vamos falar do maior dos mártires! E olhe para a delícia que ele está obviamente recebendo de seu desconforto, ele está aproveitando o que muitas pessoas teriam grandes dores para evitar. Ele é um masoquista? Não, ele é uma vítima, mas não é completamente inocente. Alguns acreditam que ele é um ladrão, por causa das moedas que caem de seu bolso em algumas versões antigas do Enforcado. A posição precária e até tortuosa que ele encontra em si é provavelmente devida a seus próprios ganhos, a consequência de suas ações. E ele sorri. Como o gato que comeu o canário.

Certo, isto está ficando interessante. É possível encontrar aspectos de “cobiça dramática” em todas as cartas? Eu puxei outra. O Ás de Paus. Ha! Os temperamentos cintilam e depois se extinguem rapidamente com essa carta. É uma verdadeira explosão sobre algo pequeno, um fósforo que acende uma fogueira de palha a qual queima intensamente e depois se extingue em um momento. Isso faz você se lembrar de algum “drama queen/king” que você conheça? Hum rum… a mim faz também.

Mais uma. Puxei o Seis de Paus. Eu adoro o senso de humor do tarô. Essa carta é uma das cartas mais positivas do baralho, normalmente. Mas e a vaidade dela? Essa sua atitude de “olhe para mim!”. A procura pela aprovação e, principalmente, pela atenção dos outros, junto com a representação para as massas que é evidente nesta carta. Esta carta mostra alguém que procura por atenção, prospera na atenção, e não pode sequer dar uma volta pela casa sem atrair os olhares da multidão.

Então eu acho que entendi. As inclinações humanas, as falhas de personalidade, os aspectos irritantes de nós todos, podem ser encontrados através das cartas do tarô. É meramente uma questão de perspectiva quando você olha para qualquer carta. Você pode provavelmente encontrar o que você está procurando se olhar profundamente o suficiente, espichar a cabeça para um lado, entender o todo de uma carta, e não apenas o que você acha que ela significa.

(Texto de Ginny Hunt – original clicando AQUI – traduzido por mim.)

Revoltas na Grécia

Faz tempo que venho acompanhando as notícias, mas só agora tive tempo para traduzir algo pra vocês se situarem um pouco, quem não estiver sabendo (abaixo dos textos vai uma galeria de fotos para clicar, retiradas dos grupos do Multiply):

As revoltas na Grécia são um sinal do que ainda está por vir?
Outros países deveriam tomar cuidado…

Por Mark Lex Eros – http://3ros.multiply.com , traduzido por mim.
Baseado no artigo de Nikolas Zirganos – www.independent.co.uk
19 de dezembro de 2008

Depois de atirar 4.600 latas de gás lacrimogêneo na semana passada, a polícia grega quase esgotou seu estoque. Enquanto procuram por suprimentos de emergência de Israel e da Alemanha, as bombas de petróleo e as pedras dos que protestam continuam chovendo, com novos estrondos do lado de fora do parlamento.

Reunindo jovens de vinte e poucos anos que lutam para sobreviver em meio ao desemprego em massa dessa faixa etária e estudantes que se esforçam em exames universitários altamente competitivos os quais podem acabar não os ajudando no ameaçador mercado de trabalho, os eventos da semana passada poderiam ser chamados de revoltas de primeiro rumor de crédito. Houve ataques solidários de pequena escala de Moscou a Copenhague, e economistas dizem que os pais com similares problemas de juventude altamente desempregada, tais como Espanha e Itália, deveriam se preparar para um desassossego.

Aparentemente, o gatilho para a violência grega foi o tiro que um policial deu em um garoto de 15 anos, Alexis Grigoropoulos. Um relato forense vazou aos jornais gregos, indicando que ele foi morto por um tiro direto e não um ricochete como o advogado do policial afirmou. Os primeiros que protestaram estavam nas ruas de Atenas logo uma hora e meia após a morte de Alexis, começando a semana mais traumática que a Grécia já teve há décadas. A destrutibilidade dos protestos diários, que deixou muitas lojas na área mais fervorosa de compras de Atenas em ruínas e causou um prejuízo estimado em 2 bilhões de euros, aturdiu a Grécia e deixou o mundo confuso. E não houve retirada ontem, quando a juventude irritada deu de ombros para a chuva torrencial e seguiu jogando pedras e bombas incendiárias contra a polícia, bloqueando as principais rodovias e ocupando uma estação privada de rádio.

Seus pais procuram no escuro por explicações. Tonia Katerini, cujo filho Michalis, de 17 anos de idade estava nas ruas no dia após o assassinato, enfatizou a normalidade dos que protestam. “Não são apenas 20 ou 30 pessoas, estamos falando aqui de mil jovens. Não são pessoas que vivem no escuro, são do tipo que você vê nos cafés. Os criminosos e drogados apareceram depois, para saquear as lojas. As crianças estavam muito bravas com o fato de o garoto ter sido morto; e eles queriam que a sociedade toda não dormisse em silêncio com isso, eles queriam que todos sentissem o mesmo medo que eles sentiram. E eles estavam também expressando sua raiva contra a sociedade, contra a religião do consumismo, contra a polarização da sociedade entre os poucos que têm tudo e os que muitos que não têm nada.”

Protestar tem sido há tempos um rito de passagem para a juventude urbana da Grécia. A queda da ditadura militar em 1974 é popularmente atribuída à insurreição dos estudantes; a verdade era mais complicada, mas essa é a versão que entrou para a mitologia estudantil, dando-lhes um sentido duradouro de seu potencial. Então ninguém ficou surpreso que a morte de Alexis há uma semana atrás trouxesse esses companheiros adolescentes às ruas. Mas por que os protestos eram tão comovidos e duradouros? “A morte desse jovem garoto foi um catalisador que trouxe todos os problemas da sociedade e da juventude que vêm se acumulando todos esses anos sem nenhuma solução” disse Nikos Mouzelis, professor emérito de sociologia na LSE. “Todo dia, os jovens deste país experimentam uma marginalização adicional.”

Embora as manchetes sobre o desemprego na Grécia falem em 7.4%, um pouco abaixo da média européia, a OECD estima que o desemprego entre as pessoas de 15 a 24 anos de idade é de 22%, embora alguns economistas digam que o número exato seria mais algo do tipo 30%.

“Por causa do desemprego, um quarto desses que estão abaixo dos 25 anos estão abaixo da linha de pobreza”, disse Petros Linardos, um economista do Instituto de Suporte os Sindicatos Gregos. “Essa porcentagem cresceu nos últimos 10 anos. Há um sentimento difundido de que não haja perspectivas. Esse é um período onde todos têm medo do futuro por causa da crise econômica. Há um sentimento geral de que as coisas estão ficando piores. E não há uma iniciativa real do governo.”

Para os jovens gregos, como Michalis Katerini, as perspectivas de emprego não são um mar de rosas, mas sem um diploma universitário elas seriam ainda piores, então ele e sua mãe estão fazendo sérios sacrifícios para fazê-lo avançar nos estudos. O ensino médio no Estado dele é tão inadequado que ele – como dezenas de milhares de outros pelo país – devem estudar três horas por noite, cinco noites por semana em uma escola abarrotada depois da escola regular, para ter a esperança de adquirir as notas altas necessárias para entrar no curso universitário de sua escolha. Sua mãe, cujo trabalho como arquiteta decaiu 20% ano passado, deve pagar 800 euros por mês para o cursinho do crucial último ano do ensino médio escolar.

Ele acredita que o governo do Primeiro Ministro Costas Karamanlis enfrentará mais turbulência se falhar em apreender essa realidade da última semana, e deixá-la passar como uma reação espontânea exagerada. “O governo tentou muito não relacionar o que aconteceu com os problemas dos jovens. O governo diz que um garoto morreu, que seus amigos estão irritados, que eles reagiram exageradamente e que os anarquistas vieram se unir ao jogo. Mas não é essa a realidade.”

Vicky Stamatiadou, uma professora de jardim de infância nos subúrbios do norte rico, com dois filhos adolescentes, concorda. “Até agora, nossa sociedade estava cheia de sujeira, mas com águas calmas; nada se movia, nada melhorava, todos os problemas da nossa sociedade continuavam sem solução por anos. Pessoas fingiam que tudo estava indo bem. Mas agora essa falsa imagem se quebrou e estamos encarando a realidade.”

As estatísticas gregas oficiais de desemprego na juventude não estão longe das taxas de outros países europeus com história de protesto de massa, tais como França, Itália e Espanha. Com a grafitagem “A Insurreição Próxima” pintada próxima ao consulado grego em Bordeaux esta semana, os sinais de aviso ao resto dos líderes do continente estão claros.

(Fonte: grupo Hellas/Greece do Multiply)

Novos estrondos começam na Grécia
18 de Dezembro de 2008

Novos estrondos romperam entre protestadores e a polícia na Grécia, em contínuo desassossego relacionado à morte de um adolescente pela polícia. Os participantes da passeata levaram a polícia da revolta para fora do parlamento, arremessando bombas de fogo. A polícia respondia com salvas de gás lacrimogênio. Doze dias depois do tiroteio policial, a raiva se unia ao descontentamento em outras partes da sociedade grega. Os protestadores queriam que o governo mudasse as políticas sociais e econômicas. Os controladores de tráfego aéreo foram o último setor de trabalhadores públicos a aderir à greve. Uma estimativa de 10 mil pessoas se uniram à passeata em Atenas na quinta-feira, que começou do lado de fora de uma universidade e marchou até o parlamento, em revolta pelo garoto de 15 anos que foi morto por um policial no dia 6 de dezembro. As faixas culpavam o governo, acusando-o de ter falhado com o povo grego. “Fora com o governo de sangue, pobreza e privatizações”, dizia um cartaz, segundo a Reuters. A nova violência surgiu na praça central, lugar do parlamento grego, com protestadores atirando bombas de petróleo no prédio e tentando queimar a principal árvore de Natal de Atenas. A árvore já tinha sido substituída uma vez depois de ser incendiada por tochas durante protestos prévios. Cerca de 70 pessoas foram feridas e cerca de 400 foram detidas durante os protestos. Centenas de lojas e bancos foram vandalizados e pilhados. O policial acusado de atirar em Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, foi acusado de assassinato.

Algumas pessoas foram pegas no protesto enquanto faziam compras. Enquanto isso, todos os vôos de e para o aeroporto de Atenas pararam por várias horas na quinta-feira, já que os controladores de tráfico aéreo protestavam contra as políticas do governo e exigiam aumento de salário. É parte de uma ação industrial organizada pelo sindicato de administração civil, a ADEDY. Na quarta-feira, os protestadores penduraram enormes faixas na Acrópole, o local antigo que domina Atenas, em uma chamada para a “resistência”. O primeiro-ministro conservador Costas Karamanlis rejeitou as chamadas para descer, apesar da crescente pressão pública. Mas, mais cedo desta semana, ele reconheceu alguns dos problemas que alimentaram a ira dos jovens. Em um discurso a colegas parlamentares na terça-feira, ele disse: “problemas há muito não resolvidos, tais como a falta de meritocracia, a corrupção na vida diária e um senso de injustiça social têm desapontado os jovens”.

(Trecho traduzido do grupo Hellas/Greece, postado por Nikos Deja Vu.)


“Antes de você conseguir conhecer a verdade do outro, você tem que conhecer sua própria verdade. Antes de você poder ver claramente, você tem que abrir seus olhos. Sem se conhecer, você pode apenas responder/reagir. Ao se conhecer, você pode questionar, dando origem à conversação.

Vida é conversação entre um indivíduo e as circunstâncias nas quais ele se encontra. Aquela interação entre uma parte e o todo é a conversa entre uma criatura e o seu criador. Mas tal conversação não é possível se a criatura não presta atenção.

Discernimento (insight) espiritual surge naturalmente ao se viver a vida. Com os olhos abertos, você aprende sobre o que lhe cerca, e com esse conhecimento pode tomar decisões melhores. Isso se chama Compreensão. Ao tomar suas decisões e prestar atenção ao resultado dessas decisões, você aprende ainda mais sobre o seu meio. Esse refinamento constante de conhecimento é chamado de Sabedoria. É através dele que tocamos a barra do manto de Deus; é através da Compreensão e da Sabedoria que nos aproximamos do Divino.

Nada disto é possível sem primeiro nos voltarmos para dentro. O primeiro passo de qualquer jornada é saber onde você está começando. Você começa se questionando. Você começa explorando o labirinto de seu passado e jogando com os pedaços de quebra-cabeça de seu presente. Você começa ousando responder o enigma de sua existência com uma curiosidade e humildade sempre crescentes.

Por que curiosidade? O curioso aceita tanto o positivo quanto o negativo com igual zelo. Curiosidade significa interesse tanto na profundidade da terra quanto no alcance dos ventos, embora não julgue nenhum dos dois. Por que humildade? Humildade significa ser humano; estar disposto a honrar isso, o que é maior do que a si mesmo. A humildade é a posição de aprendizado.

Ainda assim, nada do que eu diga possa conceder qualquer uma dessas coisas a você. Nenhum chavão pode substituir ou satisfazer a exploração espiritual individual. Não posso fazer você se auto-conhecer. Não posso viver sua vida por você. Não posso fazer você ver aquilo que você escolhe não ver. Se você não ousar se voltar para dentro de si, não há ameaça que eu possa fazer para lhe persuadir. Pedir que você seja curioso e humilde é tão sem sentido quanto lhe pedir para se sentir bem quando está doente. Você tem que fazer tal escolha, e nenhuma influência externa pode fazer essa escolha por você.

Então, ao escrever esta curta instrução sobre como ser humano, eu provo minha própria falha (hybris). Eu penso que de alguma forma, ao relatar a você o que eu conheço de minha própria experiência, eu posso abrir seus olhos e fazer você ficar curioso. Eu não posso fazer com que você faça algo. Infelizmente, só posso realizar conversas vãs…

Mas se essa conversa fizer surgir um bom questionamento, será realmente vã?”

(Texto de John – original clicando AQUI – traduzido por mim.)

“- 1. Você precisa melhorar sua escrita

Eu nunca li tanta coisa desanimadoramente ruim quanto na universidade. Não é tudo que é terrível, mas as coisas que são ruins são simplesmente atrozes. São prolixas, débeis, repetitivas, e cheias de jargões que não fazem sentido. Eu percebo que o jargão é exatamente a coisa com a qual você trabalha e que, como você precisa do seu jargão de assunto específico para fazer sentido, então você deve usá-lo. Mas há uma outra série inteira de asneiras acadêmicas gerais que você precisa cortar da sua escrita agora mesmo. Vá ler as dicas de escrita de Orwell e depois os elementos de estilo de Strunk e White, e então podemos conversar de novo. Dica: utilizar = usar, impedir = bloquear, empoderamento = asneira. Você precisa de muita prática em escrita clara, em boa prosa e em dizer o que você quer dizer. Blogar vai lhe ajudar a adquirir essa prática.

2. Algumas das suas idéias são bestas

Quanto mais cedo chamarem a atenção para suas idéias ruins, melhor. Blogar tem um retorno (feedback) quase imediato, e se você escrever um blog com tema específico, então seus colegas do mundo todo irão lê-lo (se não o fizerem, então você está fazendo alguma coisa errada). Isso significa que, quando você tem uma idéia ruim, você deveria ouvir falar dela rapidamente, para que você possa então reconsiderar. Quando você tem uma idéia boa, você ouvirá sobre ela; e quando você tem uma idéia incompleta, e algumas pessoas se intrometem contribuindo com sugestões, você terá uma idéia melhor-formada. Etcetera.

3. O propósito da universidade é expandir o conhecimento

Se você acredita que a razão para universitários publicarem é expandir o conhecimento, então expandi-lo além dos poucos dez ou cem de seus colegas que lêem os obscuros periódicos onde você publica deveria ser uma boa coisa. Suas idéias deveriam importar (se elas não importam, você deveria tentar vir com outras idéias melhores). Se elas importam, então mais pessoas deveriam saber sobre elas, e agora mesmo todas as suas idéias estão trancadas dentro das paredes dos periódicos, conferências acadêmicas e as quatro paredes da universidade. Liberte-as, e as boas idéias irão se espalhar, as pessoas irão construir em cima delas, e o conhecimento como um todo irá ser benéfico.

4. Blogar expande sua habilidade de leitura

Polinização cruzada de idéias contribui para um ecossistema intelectual mais saudável, e blogar significa que qualquer pessoa – não apenas aquelas do seu curso – ficará propensa a ler suas coisas. Isso inclui outros universitários, assim como o resto de nós (políticos, formadores de opinião, artistas, engenheiros, designers, escritores, pensadores, crianças, pais, e assim por diante). Qualquer pessoa pode ter um interesse em seu trabalho, dando idéias de como ele pode ser melhorado, ou refletindo em como os seus pensamentos podem melhorar a própria maneira de eles pensarem um assunto específico (talvez aparentemente não-relacionado). Ter mais leitores, dos mais variados backgrounds (experiências, conhecimentos), significa que suas idéias irão ter um impacto maior.

5. Blogar protege e promove suas idéias

Ao blogar uma nova idéia, você põe seu lance em jogo (cibernético), com datas e leituras para atestar sua afirmação. Quando você bloga, você publicou, significando que as pessoas sabem que você publicou, e mais tarde significando que uma audiência muito mais extensa – qualquer um com conexão à Internet – pode acessar suas idéias. O que nos leva ao próximo ponto.

6. Blogar dá reputação

Ao blogar, os links são moeda corrente: sua reputação é feita por quem te ‘linka’ e com que freqüência. Isso é uma construção interna, e um sistema de reputação mais-ou-menos democrático, já que é definido por interesses. Ao ter suas idéias online, o valor delas (refletido em quem é interessado nelas) se torna imediatamente aparente. O sistema de periódicos acadêmicos trabalha de forma similar, com referências a periódicos sendo a moeda corrente. Então você deveria se sentir bastante em casa (à vontade).

7. Linkar é melhor do que fazer notas de rodapé

‘Linkar’ é muito melhor que uma nota de rodapé. Ele permite a seus leitores visitar imediatamente o material que você usa como fonte (isso se ele também estiver online), então novamente é provável expandir conhecimento ao dar aos leitores acesso direto às idéias que dão suporte às suas idéias.

8. Periódicos e blogs podem (e devem) coexistir

Blogs e jornais (online) existem em uma relação simbiótica: blogueiros filtram e se referem a jornais, enviando tráfego a eles. Jornais agora blogam, e os blogueiros escrevem artigos de jornais. Há um senso geral de que blogar pode ser um pouco mais do que uma forma livre, um pouco menos refinada; enquanto artigos de jornais são mais rigorosos e finais. Algo similar deveria acontecer com blogs e periódicos. Se um universitário bloga, eles podem envolver e desenvolver uma série de idéias. Quando as idéias são mais claras e refinadas, elas podem ser transferidas a artigos de periódicos. Mas vamos pegar esses periódicos online e libertá-los também. E, falando nisso:

9. O que os periódicos têm feito por você ultimamente?

Os periódicos definem sua reputação, e não pagam nada. É igual blogar. Eles são exorbitantemente caros, têm termos de copyright abusivos e restritivos, e não estão disponíveis online ao público geral. Você não pode ‘linkar’ para eles, e normalmente você não pode nem encontrá-los. É diferente de blogar. Periódicos deveriam todos ser de acesso aberto e livre na Internet (como os jornais têm se tornado), e você deveria dizer a eles isso, e escolher publicar em periódicos de acesso aberto sempre que possível. É bom para seu conhecimento, e você está no ramo do conhecimento. Você deveria apoiar o que quer que seja bom para o conhecimento. -“

(Texto de Hugh McGuire – original clicando AQUI – traduzido por mim.)

Querer Mais

“O conceito de ‘querer mais’ é algo que sempre me incomodou. Eu acho que, como regra geral, nós todos ‘queremos mais’ do que temos, independente de percebermos isso ou não. Eu passei muito tempo lutando contra este sentimento porque eu também quero me sentir contente com o que atualmente tenho. Ser capaz de parar no momento e verdadeiramente apreciar onde e quem eu sou agora, em vez de desejar constantemente algo mais. Eu me perguntei várias vezes por que isso de ter que ter ‘mais’, por que não posso ser feliz com o que tenho agora. ‘Querer mais’ faz eu me sentir egoísta e gananciosa.

E isso nem é só com coisas materiais, embora essas sejam os desejos mais óbvios. É com tudo. Amor, amizade, espiritualidade. Eu tenho pensado bastante sobre isso ultimamente (em algum outro desses humores batutas). Eu percebi que a maioria dos ‘mais’ que eu quero não é sequer mais. Eu não sei como explicar realmente isso.

Já teve um desejo incontrolável de comer algo que não tinha em sua casa? Já tentou satisfazer esse desejo comendo toda a espécie de outras coisas, mas nenhuma era o que você realmente queria, então você ainda fica com aquela vontade? O sentimento é o mesmo. Eu sinto como se houvesse alguma coisa realmente importante e vital que esteja faltando em minha vida e eu esteja tentando preencher esse buraco com um monte de outras coisas que na verdade não são o que deveriam ser. O problema é que eu não sei o que é que está faltando ou onde sequer começar a procurar para encontrá-la.”

(Texto de fox – original clicando AQUI – traduzido por mim.)

Dicionário

“Lendo o dicionário
encontrei uma palavra nova:
com gosto, com sarcasmo a pronuncio;
a apalpo, a verbalizo, a cubro, a decalco, a pulsiono,
a digo, a encerro, a lambo, a toco com o nó dos dedos,
sinto seu peso, a molho, a esfrio entre as mãos,
a acaricio, lhe conto coisas, a cerco, a aprisiono,
lhe prego um alfinete, a encho de espuma,

depois, como uma prostituta,
lhe boto para fora de casa.”

(Cristina Peri Rossi – original clicando AQUI – traduzido por mim.)