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Shakespeare ou auto-ajuda?

Uma grande parte dos textos creditados a escritores estrangeiros podem ser desmascarados quando a gente os pesquisa na língua original deles. E ajuda mais ainda quando você tem noções de Estilística e reconhece a forma de escrever de um autor.

Aconteceu algo assim estes dias com uma frase que em português se achava vários lugares citando-a como se fosse de um dramaturgo inglês e descobri que, em inglês, ela não era conectada ao sujeito. O fato de várias pessoas na Internet usarem não torna confiável afirmar o autor de alguma coisa. E infelizmente isso acontece muito aqui no nosso país.

Um dos textos mais famosos nesse caso é o tal do “Você Aprende”, que um monte de gente tem usado atribuindo a autoria a Shakespeare. Fizeram até vídeos dele, como este: http://www.youtube.com/watch?v=_jMV5qU9l6s . Pois vamos acabar com este mito! Bastava uma pesquisa mais apurada em inglês para encontrar. Há algumas diferenças de construção, mas é perceptível que trata-se da mesma coisa (e que, por sinal, ainda assim é uma bela lição de vida). A tradução fica assim:

“Depois de um tempo você aprende a sutil diferença entre segurar uma mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia não quer sempre dizer segurança. E você começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E você começa a aceitar suas derrotas com sua cabeça erguida e seus olhos adiante, com a graça de mulher, não a tristeza de uma ciança. E você aprende a construir todas as estradas hoje porque o terreno de amanhã é demasiado incerto para planos, e futuros têm o hábito de cair no meio do vôo. Depois de um tempo você aprende que até mesmo a luz do sol queima se você a tiver demais, então você planta seu próprio jardim e enfeita sua própria alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que você realmente pode resistir, você realmente é forte, você realmente tem valor. E você aprende e você aprende. Com cada adeus, você aprende.”

(Veronica Shoffstall, escritora americana de auto-ajuda. Texto: “After a While”, também conhecido como “Comes the Dawn”, de 1971.)

Faz mais sentido agora, não?

O que a Musa quer

A questão que mais aparece entre os artistas e empresários aspirantes é esta: “Como podemos perseguir nossos sonhos quando temos filhos, emprego, exigências e prazos? Como encontramos tempo, auto-disciplina e energia quando estamos lidando com toda essa coisa de vida real no mundo real?”

A Musa pode ser uma mestra/senhora durona. Mas ela tem um lado leve, se soubermos onde procurar.

Eis o que a deusa quer:

“Comprometa-se com a dor”

A Musa quer compromisso. Ela exige um contrato de longo termo. Ela quer que assinemos com sangue e nos penduremos nisso de agora até o fim. A Musa odeia coisas de momento, que só se fazem uma vez. Ela não irá tolerar guerreiros de fim-de-semana ou desistentes. Se estamos dentro, estaremos nessa por todo o tempo que durar.

A Musa gosta de ver movimento. Ela ajuda seus suplicantes a colocar a pedra para rolar e não deixá-la parar. Quando a deusa verifica como as coisas estão numa quinta-feira, ela não fica feliz de ver que a bola está na mesma linha de campo em que estava na terça-feira. Isso a deixa irritável.

Vá fundo e vá longe

A Musa exige profundidade. A superficialidade não funciona para ela. Se estivermos procurando por sua ajuda, não podemos ficar no rasinho da piscina. Quando trabalhamos, temos que dar duro e ir bem pro fundo.

A deusa quer foco. Concentração. Quando ela vê dispersão mental, ela perde a vontade, e fica querendo desligar o telefone. Passe o ferrolho na porta, procure banir toda a distração.

A Musa é uma deusa ciumenta. Ela exige nossa atenção completa. Sem competições. Sem outros concorrentes. E nós não podemos enganá-la ou traí-la. Ela enxerga através de nós.

O pecado do orgulho

Por ultimo, a Musa exige humildade. Lembre-se, para os deuses olimpianos, o delito mais abominável não era assassinato ou estupro ou mesmo traição. Era o orgulho.

Estas são exigências pesadas. Mas por que não deveriam ser? A contribuição da Musa são idéias, inspirações; ela é aquela que nos liga a nosso eu-interior mais verdadeiro e traz para fora o ouro que é nosso e nosso apenas para contribuir. Sem ela, não temos nada. Então ela joga pra valer, e exige que joguemos da mesma forma.

O lado leve da Musa

Mas há uma área onde a Musa dá uma folga, e é esta:

Ela não exige quantidades massivas de tempo.

Quando Steven Soderbergh pegou seu Oscar como Melhor Diretor, ele levantou a estatueta e disse: “Isto é para todo mundo que dedica pelo menos uma hora por dia perseguindo seus sonhos”.

Uma hora. A deusa pode viver com isso. Se pudermos lhe dar sessenta minutes de atenção concentrada profunda, sem distrações, sem dispersões, ela aceitará. Talvez não para sempre, mas por enquanto. Para começar.

E essas horas se somam. Sessenta minutos por dia, cinco dias por semana, cinquenta semanas por ano, equivalem a 250 horas. Meu típico dia de trabalho (mesmo quando no meu máximo) é apenas quatro horas. 250 horas equivalem a mais de sessenta dias de trabalho por ano. 12 semanas. Isso não é pouca coisa. É algo. É algo de verdade.

Frederic Raphael, o roteirista de “De Olhos Bem Fechados”, tem uma ótima definição de trabalho. Ele diz: “Trabalho é quando você tem páginas no final do dia que você não tinha no começo”. Isso funciona para todos nós – atores, empresários, todo mundo.

E funciona para a Musa também. Ela gosta de ver a pedra rolando, mesmo que só a possamos rolar por uma hora por dia.

[Obrigado ao Coyoteguy pela citação desta semana: “Lembre-se, a Musa favorece quem trabalha duro. Ela odeia divas.”(…)]

(por Steven Pressfield | 16 de setembro de 2009 | traduzido por mim Original CLICANDO AQUI.)

Dança Daoísta do Louco

(por Ewen, em 18 de agosto de 2009)

“Todo mundo gosta de dançar. Até a Rainha gosta de dançar… eu acho. Minha opinião é que a dança é uma das atividades mais espirituais que alguém pode fazer. Os benefícios da dança são numerosos. Ela solta a rigidez psicológica, libera tensões, cura depressão, é um bom exercício e faz você se levar menos a sério. Não há nada pior do que se levar muito a sério.

Dança e Espiritualidade

Muitos místicos antigos falaram sobre a dança ser uma forma rápida e poderosa de entrar em contato com o divino. É uma prática importante tanto no Daoísmo quanto no Sufismo. Diz-se que o respeitado poeta sufi, Rumi, dançava sempre que desejava, não importa na companhia de quem ele estivesse.

A Técnica

Esta técnica ou exercício de Tarot é uma foram de realmente entender a carta do Louco. Para mim, a carta do Louco tem tudo a ver com impulsos espirituais. Um impulso que não tem reconhecimento, regras ou ordem. Ele é solto e completamente livre; ele transcende tanto a vida quanto a morte. Para começar, coloque alguma música de sua escolhe, relaxe e simplesmente comece a dançar. Deixe seu corpo se mover do jeito que ele quiser. Você provavelmente perceberá vozes internas vindo à superfície, lhe dizendo que você é um boboca ou algo do gênero; mas simplesmente as ignore, elas não sabem de nada.

Depois de alguns minutos de dança, comece a chutar, estender as pernas, esticar os braços para os lados (como se estivesse imitando um avião) e empinar sua cabeça para trás para que você possa olhar para o teto, depois simplesmente comece a gargalhar. Deixe a risada vir de bem fundo dentro de você. Se a risada não vier na primeira tentativa, dê um riso falso forçado até que esteja rindo de verdade. Não deve demorar para virar uma risada descontrolada.  esse ponto, você pode pensar consigo: “Eu sou o Louco Sagrado; estou além da vida e da morte”.

Dance como um Louco

Os antigos daoístas chineses afirmam que, se você fizer essa dança todo dia, você viverá até os oitenta anos.

Acho que esse exercício proverá uma dimensão totalmente diferente da carta do Louco do que os livros lhe darão.

Deixe-me saber como você lida com essa técnica, suas experiências e suas percepções com o Louco… e eu sempre estou procurando por novos movimentos de dança.

Divirta-se,
Ewen”

(Original em Tarot Eon – clique AQUI. Traduzido por mim.)

O Brahmacharya, ou celibato, é um processo racional de preservar e conservar uma energia preciosa para que ela possa ser utilizada em outras funções muito essenciais e indispensáveis. E, se ela é preservada dessa forma, ela pode ser convertida, assim como a água densa e tangível é convertida em um vapor tênue e sutil. Então ela pode fazer maravilhas. Um rio pode não ter muito poder sozinho. Você pode ser facilmente capaz de remar ou nadar por ele. Mas, se ele for represado e suas águas conservadas, então ele tem o poder, quando devidamente canalizado, de virar imensas turbinas e produzir eletricidade. O sol quente, mesmo no verão, não causa normalmente fogo, mas se você concentrar seus raios através de uma lente, esses raios irão imediatamente queimar o que quer que seja o foco dos raios. É disso que se trata o celibato.

O prana (energia vital, força de vida) é a reserva preciosa do buscador. Qualquer atividade sensitiva ou experiência sensitiva consome muito prana. E a atividade dos sentidos que consome a maior quantidade de prana é o ato sexual. Gurudev colocou isso muito fortemente: “Ele pertuba/abala o sistema nervoso inteiro”, porque ele cria uma grande excitação, uma grande agitação, e uma intensidade tamanha de sentimentos que, como consequência, deixa a pessoa exausta e exaurida/esgotada. O mais alto de todos os objetivos na vida humana – a realização espiritual – requer o máximo disponível de energia prânica de todos os níveis: mental, intelectual e emocional. É através do prana que a gente tem que refrear nossas sensações. É através do prana que a gente tem que parar a incansável atividade mental. É através do prana que a gente tem que centralizar todos os raios espalhados da mente e fazê-la se concentrar em um único ponto. É através do prana que a gente tem que dirigir a mente concentrada até o objeto da meditação.

Todas essas várias práticas requerem o uso de prana, e o celibato garante que uma abundância de reserva prânica esteja disponível ao buscador.

99% das pessoas estão completamente apegadas a um estado de “eu sou este corpo”. Elas conhece sua identidade apenas como uma entidade física, um ser com mãos e pés e orelhas e olhos, comendo, bebendo, dormindo, falando, fazendo coisas. Então elas estão totalmente ligadas ao corpo. A consciência delas é erguida sobre o nível do corpo físico.

Entre todos esses processos corporais, a maioria se tornou mecânico. A maioria das pessoas não estão intensamente cientes do comer, beber, dormir, usar o banheiro. Todas essas coisas se tornaram automáticas. Mas o único processo que a maioria delas propositalmente se envolve, com um grande desejo dele – querendo-o, pensando nele, planejando-o e indo atrás dele – é o prazer sexual, o que significa que este é um processo que concentra a consciência inteira delas, a mente inteira, a atenção inteira sobre o físico, sua identidade física. De um certo ângulo, o ato sexual é o ápice da ‘fisicalidade’ ou animalidade. É um processo que forçosamente direciona sua atenção inteira ao físico e, mais do que isso, o foco inteiro do seu desejo e intenção sobre aquela parte da sua natureza física que você comparilha em comum com o reino animal inteiro. Isso vai ser de alguma forma útil para atingir a consciência cósmica?

Se você é um buscador espiritual, você não consegue ver que está trabalhando contra si mesmo? Você tem que liberar sua consciência dos níveis mais baixos e continuar elevando-a até níveis progressivamente mais e mais altos de estados mais e mais refinados. Pois, se a totalidade do processo espiritual de iluminação e esclarecimento é um processo de erguer-se a um estado mais alto de consciência, ele automaticamente implica em liberar-se de um estado mais baixo de consciência. Se você quer se mover em direção ao norte, isso significa se afastar do sul.

E uma das coisas que ajuda você a se liberar de ser pego neste nível físico é o celibato. A consciência cósmica, absoluta, é um grito distante se você não reconhece a necessidade de se liberar de sua identificação total com o corpo.

Swami Sivananda costumava dizer: “Brahmacharya é a base da imortalidade.”

Uma das yogas onde o celibato é absolutamente essencial e indispensável é a Kundalini Yoga. Desde o começo, é absolutamente essencial e indispensável. Senão, é perigoso se envolver com a kundalini yoga, que é baseada em pranayama e muitos mudras, bandhas e asanas.

O celibato não está fora de moda, não é coisa do passado, e não é repressivo ou negador de vida. Ao contrário, ele é usado como uma prancha para uma vida duradoura, uma vida infinita, eterna. Quem acha o celibato repressor e fora de moda parecer ter uma visão de vida muito estreita e limitada. E essa não é a única vida que existe. Quando você chegar a ter um pequeno vislumbre ou idéia do que a vida real é, então você irá ficar simplesmente deslumbrado. A vida presente tal como é hoje se torna insignificante, sem sentido.

Brahmacharya não se trata de evitar a sexualidade e nem de reprimir a sexualidade. Trata-se de passar por cima da sexualidade para que o potencial e o poder do processo sexual possa agora ser usado para algo tão maravilhoso que o sexo empalidece de insignificância em contraste. Então o brahmacharya não é nem reprimir nem evitar a sexualidade, é apenas desconsiderá-la, fazer uso desse potencial sexual para algo dez vezes ou cem vezes maior.

Se você quer entender a prática do celibato através de uma analogia que esteja dentro das formas pensadas de hoje, considere um atleta cuja ambição maior é ganhar uma medalha de ouro nas Olimpíadas. Ele irá voluntariamente se colocar nas mãos de um treinador e, se o treinador disser “Nada de festanças tarde da noite, nada de sexo, nada de comida que não presta, nada de álcool”, o atleta prontamente concorda. Ele diz: “Concordo com isso e com o que mais você disser também”. Por quê? Porque ele quer a medalha de ouro. E ninguém ergue uma sobrancelha, ninguém fica abismado com isso. Por quê? Porque a medalha de ouro justifica todas essas tão-chamadas ‘inibições’. Você não pode dizer que ele está cometendo uma violência ou se reprimindo, porque ele não está olhando para isso dessa forma. Ele está disposto a fazer qualquer coisa que o treinador exigir dele. Isso não lhe é imposto por outras pessoas. Nós entendemos por que ele está fazendo tal coisa e nós aceitamos isso.

Porém, de alguma forma, a idéia ocidental de que o brahmacharya é uma supressão não é inteiramente fora de questão. Se a gente reprime ou suprime alguma força ou faculdade natural inerente, isso pode trazer mudanças indesejáveis na personalidade. Se o brahmacharya é forçado a um indivíduo contra a inclinação ou vontade dele, condições anormais podem resultar naturalmente disso, porque a pessoa está sendo compelida a fazer algo que, no fundo, ele ou ela não quer fazer – foi compelida pelos outros, por uma restrição social ou por assumir votos que ele ou ela teve que fazer antes de ter considerado bem o que exatamente isso implicava.

Mas, se uma pessoa inteligente, tendo profundamente ponderado sobre a base completa da vida, disser: “Quando eu quero atingir algo grande, algo poderoso, não posso me prestar a esgotar as energias que tenho. Quanto mais eu conservar, mais eu posso divergir para aquele empreendimento e maiores as chances de ter sucesso”. Então, pensando e tendo entendido a racionalidade disso, e plenamente apreciando a realização última onde isso o/a levaria, se ele ou ela voluntariamente, disposto/a e com grande entusiasmo abraçar o celibato, onde ficaria a questão da supressão?

Ao contrário, o que parece ser uma espécie de negação é na verdade dar uma completa auto-expressão a uma dimensão maior do seu ser, dentro da qual você tem agora se colocado. Então, longe de negar uma auto-expressão, trata-se de dar uma expressão plena a si mesmo, porque você não está mais identificado com os aspectos menores de sua personalidade total. Você está identificado com o aspecto mais alto. É uma espécie de uma liberação e evolução a um nível maior. É algo positivo, criativo, e não algo negativo.

Na verdade, a vasta maioria dos seres humanos são animais humanos apenas; estão enraizados somente na consciência do corpo. Então o yogui diz que sua consciência apenas se movimenta nos três centros mais baixos, que é comida, sexo e eliminação inferior. Se algum despertar superior acontece e eles desenvolvem compaixão pelos outros, espírito de serviço, desejo de tornar os outros felizes, então a consciência ocasionalmente se manifesta no quarto centro, o dos sentimentos. Se a consciência persiste em uma tendência ao mais alto, de evolução epiritual e vida ideal, ela chega ao visuddha-chakra, onde podemos ter muitas experiências subjetivas, visões etc, mas ainda assim as experiências vêm e vão e a consciência se move para cima e para baixo, para cima e para baixo. Se a consciência se ergue mais além, até o ajna-chakra, nós tendemos a ficar mais e mais estáveis, estabelecidos, porque esse é o centro da mente, a psique. Mas é apenas quando a consciência chega ao sahasrara que não há mais chance de descida. Nós ficamos acima da consciência corporal. Nós não pensamos ou sentimos ou concebemos a nós próprios como uma entidade física mais. Não há como se mover para baixo. A consciência está firmemente estabelecida. Mas até então, há sempre uma necessidade de ser vigilante.

Se você quiser colocar isso numa terminologia devocional, há uma pequena composição interessante de Swami Yogananda. É algo assim: “Eu sou a bolha, tu és o mar. Deixa-me parar de ser a bolha, torna-me o mar”. E assim o devoto reza ao Deus: “Eu sou tua criança, o que tu és eu sou. Se és divino, sou divino. Se não tens corpo, não tenho corpo. Sou puro espírito, todo pervasivo, como tu. Leva-me paro alto, para o teu estado de consciência”.

[ trechos de ‘The Role of Celibacy in the Spiritual Life’, por Swami Chidananda, em pdf, traduzido por mim ]

Vídeo (lindo!) de música de fossa, em grego. Anna está maravilhosa!
Segue grafia, transcrição e tradução:

Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως εδώ και δυο μήνες είμαι συνέχεια στο σπίτι μονάχη μου.
Pos edo ke dio mines ime sinehia sto spiti monahi mou.
Que pelos últimos dois meses tenho estado em casa sozinha.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πόσο άσχημη νιώθω με μαύρους κύκλους κάτω απ’ τα μάτια μου.
Poso ashimi niotho me mavrous kiklous kato ap’ ta matia mou.
Quão feia me sinto com essas olheiras.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως μου είναι αδιάφορο αν ζω ή δεν ζω.
Pos mou ine adiaforo an zo I den zo.
Que não me importo se vivo ou não vivo.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πόσο πολύ σ’ αγαπώ.
Poso poli s’ agapo.
O quanto eu te amo.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως περνάω τις ώρες μου περιμένοντας να με πάρεις κάποιο τηλέφωνο.
Pos pernao tis ores mou perimenontas na me paris kapio tilefono.
Que passo meu tempo esperando por uma ligação sua.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως φοράω τα ρούχα σου να σε αισθάνομαι συνέχεια κολλημένο επάνω μου.
Pos forao ta rouha sou na se esthanome sinehia kollimeno epano mou.
Que visto suas roupas para poder te sentir perto de mim.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως δεν έχω όρεξη να φάω έχω μείνει μισή.
Pos den eho orexi na fao eho mini misi.
Que perdi meu apetite e perdi metade do meu peso.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως σε σκέφτομαι βράδυ-πρωί.
Pos se skeftome vradi-proi.
Que penso em você dia e noite.

Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα είμαι σκόνη είμαι χώμα.
Pos gia sena ime skoni ime homa.
Que sou pó e terra (faria qualquer coisa) por você.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για ‘σένα πίνω είμαι λιώμα.
Pos gia ‘sena pino ime lioma.
Que por sua causa eu bebo até me embriagar.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα βουλιάζω σε κώμα.
Pos gia sena vouliazo se koma.
Que por sua causa eu me sinto entrando em coma.
Σαν παλιά ζωγραφιά λίγο-λίγο μου φεύγει το χρώμα.
San palia zografia ligo-ligo mou fevgi to hroma.
Como uma velha foto, minha cor está gradualmente esvaecendo.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα είμαι σκόνη είμαι χώμα.
Pos gia sena ime skoni ime homa.
Que sou pó e terra (faria qualquer coisa) por você.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα υπάρχω ακόμα.
Pos gia sena iparho akoma.
Que ainda estou vivendo por você.

Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως όλα αυτά που σου λένε ότι είμαι δήθεν καλά είναι όλα ψέματα.
Pos ola afta pou sou lene oti ime dithen kala ine ola psemata.
Que quando lhe dizem que estou bem, é tudo mentira.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
ότι είμαι όλη μέρα σε ένα δωμάτιο και ζω με σκιές και φαντάσματα.
Oti ime oli mera se ena domatio ke zo me skies ke fantasmata.
Que estou sempre no mesmo quarto vivendo com sombras e fantasmas.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως με παίρνει ο ύπνος με χάπια κάθε πρωί.
Pos me perni o ipnos me hapia kathe proi.
Que adormeço com pílulas toda manhã.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για ‘μένα τα πάντα είσαι εσύ.
Pos gia mena ta panta ise esi.
Que para mim você é tudo.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως ότι συμβαίνει επάνω στον κόσμο με αφήνη αδιάφορη.
Pos oti simveni pano ston kosmo me afini adiafori.
Que tudo o que acontece no mundo não me interessa.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για τίποτα πια δεν με νοιάζει νιώθω τόσο μα τόσο ουδέτερη.
Pos gia tipota pia den me niazi niotho toso ma toso oudeteri.
Que não me importo com mais nada, me sinto sem emoção.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως είμαι μόνη δεν θέλω κανένα να δω.
Pos ime moni den thelo kanena na do.
Que estou sempre sozinha e não quero ver ninguém.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πόσο πολύ σ’ αγαπώ.
Poso poli s’ agapo.
O quanto eu te amo.

Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα είμαι σκόνη είμαι χώμα.
Pos gia sena ime skoni ime homa.
Que sou pó e terra (faria qualquer coisa) por você.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για ‘σένα πίνω είμαι λιώμα.
Pos gia ‘sena pino ime lioma.
Que por sua causa eu bebo até me embriagar.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα βουλιάζω σε κώμα.
Pos gia sena vouliazo se koma.
Que por sua causa eu me sinto entrando em coma.
Σαν παλιά ζωγραφιά λίγο-λίγο μου φεύγει το χρώμα.
San palia zografia ligo-ligo mou fevgi to hroma.
Como uma velha foto, minha cor está gradualmente esvaecendo.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα είμαι σκόνη είμαι χώμα.
Pos gia sena ime skoni ime homa.
Que sou pó e terra (faria qualquer coisa) por você.
Δεν θέλω να ξέρεις
Den thelo na xeris
Não quero que você saiba
πως για σένα υπάρχω ακόμα.
Pos gia sena iparho akoma.
Que ainda estou vivendo por você.

Premiozinho recebido:

Στα όχι δεν τολμώ αλήθεια πια να πω
Στο ψέμα μου ζητώ βοήθεια
Τα όχι σου σιωπή το τέλος πριν να’ρθεί
Δεν γίνεται η αρχή συνήθεια .

Ξέρω ότι με πρόδωσε, αλύπητα με σκότωσε
Τα όχι και τα ναι μου, μόνος μου εγώ.
Μ’ ενοχλεί ο εαυτός μου , με μπερδεύει
Πόσο εύκολα μπορεί να σε λατρεύει
Πόσο δύσκολα τα λάθη σου τα ξέχασα.
Μ’ ενοχλεί το φέρσιμο σου, με σκοτώνει
Τόσο γρήγορα το βλέμμα σου με λιώνει
Πόσο άργησα να νιώσω ότι σ’ έχασα

Τα ναι και η ψύχη πεθαίνουν για ζωή
Μα δεν χωράνε πια στο σώμα
Τα ναι σου μια βροχή ελπίδα από γυαλί
Που βούλιαξε και αυτή στο χώμα…

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No ‘não’ eu não me atrevo a dizer a verdade mais
Na minha mentira eu procuro por ajuda
Seus ‘não’s são silêncios, antes do fim chegar
Um começo não pode se tornar um hábito

Eu sei que ela me traiu, ela me matou cruelmente
E meu ‘sim’ e ‘não’, eu sou
Eu incomodo a mim mesmo, eu me confundo
O quão facilmente eu posso te adorar
O quão difícil é esquecer seus erros
Seu comportamente me incomoda, me mata
Tão rápido (quanto) seu olhar me derrete
O quão demorado foi para eu sentir que te perdia

Aquele ‘sim’ e a alma morrendo por uma vida
Mas não podendo se encaixar no corpo mais
Seu ‘sim’, uma chuva, a esperança feita de vidro
Aquele estar afundado no próprio solo (da terra)…